
O retorno da Unidos de Viradouro ao Grupo Especial no carnaval de 2015 traz uma série de fatos que são encarados como indícios de boa sorte. João Vítor Araújo, que tem apenas quatro anos como carnavalesco, estreou no Rio em 2014 na Viradouro e, de cara levou a escola ao título. E, sem modéstia, quer fazer um carnaval grandioso e luxuoso e assim permanecer no grupo de elite do carnaval carioca.
A escola de Niterói, na Região Metropolitana, abre os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça”, criado a partir de dois samba de Luiz Carlos da Vila.
“Minha principal missão é mostrar que não é preciso ter um grande nome, um carnavalesco famoso para permanecer na elite do samba. Quero quebra a escrita que já vê como menor uma escola que acabou de subir da Série A. Se conseguir manter a Viradouro em 11º lugar, já vou me sentir vitorioso. A disputa é muito difícil, mas viemos preparados”, disse João Vítor.
E quando o carnavalesco diz que quer fazer um carnaval grandioso não está exagerando. Para acompanhar um dos mais belos sambas da safra, e contar a influência da cultura negra no Brasil, ele preparou sete grandes alegorias. Só no navio negreiro em azul, com os orixás estampados no casco da embarcação, João colocou 70 esculturas. No segundo carro, são mais 50 e no terceiro, 17.
“Nosso projeto é realmente muito grande. Somos talvez a escola com o maior número de esculturas que vai cruzar a avenida. Somos a primeira escola a desfilar e queremos arrebatar desde o início. Temos apenas um carro em vermelho e branco, usamos tonalidades inusitadas para o tema, mais clara e suave, trazendo uma África que faz bem aos olhos”, explicou o carnavalesco.
O abre-alas que mostra o continente africano como o paraíso, tem um gigantesco baobá- árvore da sabedoria e da vida – que segundo João Vítor, só falta dançar. No primeiro setor, muitas cores mostram a exuberância da fauna e flora e do artesanato africanos. Ao longo de enredo, os negros se juntam aos índios em solo brasileiro.
Da mistura das raças surge uma nova cultura, genuinamente brasileira, que rituais de fé, de cura, cercada de cantos e dança. E como não poderia deixar de ser, acaba tudo isso dá origem ao samba.
“Vamos homenagear as escolas que são as verdadeiras raízes do samba, com Portela, que nasceu como Vai Como Pode, a Mangueira e a Deixa Falar, hoje Estácio de Sá. E vamos reverenciar grandes nomes como Donga e Tia Ciata. É um carnaval requintado, mas tradicional, como nossa comunidade merece. O que vai imperar é a emoção. Abram alas que a Viradouro chegou. E com a bênção dos orixás e Luiz Carlos da Vila, vem para ficar”, vaticinou João Vítor.