
A Unidos da Tijuca vai entrar na Sapucaí, este ano, de cara nova. Ou seja, sai o carnaval com ingredientes pop que lhe deu o título de 2014 – e virou marca quase que registrada do antigo carnavalesco Paulo Barros — e entra o desfile clássico e mais requintado, elaborado por uma comissão de carnaval formada por Mauro Quintaes, Carlos Carvalho, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo. Ou seja, saem as referências musicais e cinematográficas e entra em cena uma escola mais tradicional e luxuosa, como eram as fantasias do homenageado, o carnavalesco Clóvis Bornay.
Na verdade, o carnavalesco é o elo entre o Brasil e a Suíça, que terá suas lendas cantadas pela azul-e-amarelo da Tijuca no enredo “Um conto marcado no tempo – o olhar suíço de Clóvis Bornay". A comissão de carnaval imaginou para este ano um sonho no qual Bornay relembra as lendas do país europeu contadas por seu pai, um relojoeiro suíço.
“É claro que teremos efeitos especiais, coreografias e surpresas, na avenida. Mas também teremos fantasias e carros mais caprichados e de fácil entendimento para o público, já que vamos falar de lendas de personagens de outro país”, explica Quintaes.
Mas que ninguém ouse pensar que se trata um desfile frio, como os Alpes. Outro integrante da comissão, Carlos Carvalho, conta que mergulhou fundo na pesquisa sobre lendas como a da flor edelweiss, do arqueiro Guilherme Tell ou do cão São Bernardo, chamado pelos suíços de Anjo dos Alpes, por salvar mais de 40 pessoas soterradas em avalanches de neve.
“São estórias tão apaixonantes e contadas e vivenciadas com tanta convicção pelos suíços, que ficamos até na dúvida se são reais ou fictícias. Mesmo nelas existam seres fantásticos como dragões alados bons e malvados. Essas lendas contam a história da formação dos cantões e do país”, frisa Carvalho.
E são tão envolventes, que aquecem a alma, como o chocolate fabricado na Suíça e que será distribuindo na avenida. Além da delícia a Tijuca vai mostrar que o país gelado não é só uma terra de reis e castelos, mas também o berço de invenções contemporâneas e tecnológicas. Lá estarão os relógios, inclusive o cuco, as caixinhas de música e até o acelerador de partículas atômicas.
Clóvis Bornay, explica Quintaes, ganha vida na final do desfile, que dão destaque às artes suíças e à beleza do carnaval carioca. Ele virá representado junto com o pavão, ave-símbolo da Unidos da Tijuca e que também representa a beleza.
“Será um desfile diferente da apresentação de anos anteriores, mas que vai marcar uma nova era na escola, mais tradicional, onde o seu componente é realmente a verdadeira estrela”, resumiu Quintaes.